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Como negociar dívidas do cartão de crédito

Saiba por onde começar e qual é o melhor caminho para negociar a dívida do cartão antes que ela se torne uma bola de neve.

Escrito por Cecilia Alberigi

O cartão pode ser um grande aliado para suas finanças desde que usado com consciência e responsabilidade. Mas, quando isso não acontece, o descontrole com os gastos leva ao endividamento e então surge a necessidade de negociar as dívidas do cartão de crédito.

Se esse é o seu caso, então este artigo é para você. Continue a leitura e confira todas as dicas para se livrar das dívidas do seu cartão de uma vez por todas.

Por que negociar as dívidas do cartão de crédito?

Antes de mais nada, é preciso que você saiba que os juros do rotativo do cartão de crédito são os mais caros do mercado. Segundo o Banco Central, os juros ultrapassam 300% ao ano, considerada uma porcentagem exorbitante.

Dessa forma, se o consumidor não conseguir quitar a fatura completa e optar pelo rotativo, vai pagar uma taxa muito alta sobre o valor devido e qualquer dívida com o cartão pode ser tornar rapidamente uma bola de neve e complicar todo o orçamento doméstico.

Dicas para negociar dívidas do cartão de crédito

1) Analise seus gastos

O primeiro passo é entender as suas finanças e quais despesas estão comprometendo o seu orçamento. 

Analise as três últimas faturas do cartão de crédito e veja como você tem gastado seu dinheiro para descobrir a causa da dívida. Fique atento principalmente a quantidade de compras de pequenos valores, pois geralmente elas afetam a nossa percepção de gastos.

Coloque tudo na ponta do lápis e veja quais gastos você consegue eliminar das próximas faturas.

2) Negocie o pagamento em parcelas fixas

Entre em contato com o seu banco ou operadora do cartão para negociar a dívida.

Se informe sobre o CET (Custo Efetivo Total) que é a somatória dos juros, taxas e encargos que vão incidir sobre o valor devido.

Solicite uma simulação com base no valor que você conseguirá pagar por mês e dê preferência por parcelas fixas para não ser pego de surpresa e correr o risco de a parcela subir conforme o tempo passar.

É importante saber que, caso o seu nome tenha sido incluído em algum órgão de proteção ao crédito, o banco ou a operadora do cartão são obrigados a retirá-lo, pois você buscou alternativas para quitar a sua dívida.

3) Peça ajuda a especialistas

Caso a solução apresentada pela operadora do cartão não seja satisfatória, recorra a um especialista em finanças, como contadores ou analistas financeiros. 

Algumas órgãos oferecem serviço de orientação financeira gratuita ao público. É o caso da Universidade de São Paulo e do Procon SP.

Vale a pena a consulta!

4) Troque a dívida

Em geral, um empréstimo pessoal possui taxas e juros bem menores que o rotativo do cartão ou parcelamento da fatura.

São várias as opções: crédito consignado, antecipação do IR, do 13°, etc. No entanto, essa alternativa só é válida desde que feita com planejamento e única e exclusivamente para quitar a dívida do cartão de crédito.

O que você deve saber ao negociar dívidas do cartão de crédito

  • A instituição financeira não pode cobrar mais de 30% do que você recebe mensalmente para quitar a dívida. Ou seja: se você ganha R$1 mil líquidos, o valor total do débito não pode ultrapassar R$300.
  • Desde o dia 3 de abril de 2020, a cobrança do IOF será zerada nos próximos 90 dias devido aos impactos do coronavírus na vida financeira dos brasileiros. Ou seja, não haverá a cobrança do imposto em casos de empréstimos, uso do cheque especial, crédito rotativo do cartão e financiamentos.
  • Você não é obrigado a contratar serviços adicionais para poder negociar a dívida do seu cartão de crédito. Se essa for uma condição imposta pela instituição financeira, denuncie ao Procon.

Faça o uso consciente do seu cartão de crédito

O cartão de crédito é um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros e como tal, ele deve ser visto como um aliado.

Por esse motivo, a recomendação de especialistas financeiros é ter, no máximo, dois cartões e estar sempre atento ao dia de vencimento das faturas e a soma dos limites de cada um.

Anotar todas as compras e consultar o aplicativo do cartão com todos os valores detalhados ajuda a manter o controle das finanças e avaliar prioridades e reduções de gastos para os próximos meses.

Lembre-se: o cartão de crédito é uma ferramenta financeira e, por isso, os valores gastos com ele devem estar associados ao limite do seu orçamento e não ao limite de crédito.

Leia também: Como usar o cartão de crédito sem se endividar